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ACHO ESTRANHO...

Nesta última sexta-feira, dia 7 de agosto, entrou em vigor no Estado de São Paulo a lei que proíbe o fumo em todos os lugares fechados (total ou parcialmente) públicos, incluam-se aí restaurantes, bares, casas noturnas, empresas, áreas comuns de condomínios residenciais, etc., extinguindo de vez áreas para fumantes e fumódromos. Pode-se fumar em quartos de hotel/motel, quando o hóspede ocupante for fumante (eles queriam proibir aí também, mas isso foi retirado da lei, não seria possível fiscalizar... óbvio!), tabacarias, cultos religiosos nos quais o fumo faça parte do ritual (tipo umbanda), em locais de tratamento psiquiátrico quando autorizado pelo médico e locais abertos de estabelecimentos de uso coletivo, como mesinhas na calçada de bares e restaurantes (que poucos têm). Fora parques e ruas, por enquanto pode-se fumar (ainda, mas creio que num futuro até mesmo isso seja proibido, a exemplo de alguns lugares do mundo).

Nesta última sexta-feira, dia 7 de agosto, fui a um barzinho e vi que lá dentro ninguém fumava mesmo, algumas pessoas saíam para a calçada em frente para fumar, cuidadas por um segurança. Foi muito estranho estar num bar e não ver ninguém fumando. Eu fumo, sempre vi pessoas fumando nesses ambientes, foi muito esquisito. Parecia algo meio infantil, aquelas pessoas bebendo, batendo papo, e não fumando. Ops, tinha gente bebendo, creio que muitos estavam desrespeitando a lei seca federal, pois iriam dirigir. Criminosos! Mas, pelo menos, não cometeram o erro de fumar em local público e fechado. Graças a Deus, não é mesmo, minha gente! Affff!

Sei que, conforme cada vez mais pessoas convivem nos mesmos espaços, a população e o povoamento no mundo aumentam, novas normas de convivência precisam ser criadas, visando ao bem estar comum, mas será que essas leis são elaboradas e aprovadas na melhor forma que poderiam? Parece que uma maioria acaba pagando o pato por causa de uma minoria que não tem bom senso e extrapola o que seria aceitável. A lei seca, por exemplo, nivelou por baixo todas as pessoas, mesmo se você beber um copo e meio de vinho num jantar, sendo parado numa blitz, pode ser autuado, perder a licença para dirigir, pagar multa (apesar que não tenho visto blitz nenhuma por aí...). Isso quer dizer que todo mundo que beber uma quantidade x é considerado pelo governo um potencial bêbado, perigo para a segurança pública. Nem se cogitou que, ao parar alguém numa blitz e o bafômetro indicar a ingestão de álcool, se pudesse realizar outro tipo de verificação (existe sim, até a verificação de coordenação motora e mental que policiais treinados poderiam realizar no momento do flagrante) para saber se a pessoa está realmente fora de sua condição ideal para dirigir. Tem gente que bebe bastante e assim mesmo está em perfeito estado, outras tomam um cálice de licor e já estão tontas. Não, é punição para todos! Não acho certo.

Os estabelecimentos comerciais, públicos que têm áreas abertas poderão permitir o fumo nesses locais. Do contrário, não. Tem-se de sair para a rua. Aí começam outros problemas. Como controlar as pessoas que saem para a rua para fumar e evitar que saiam correndo sem pagar a conta? Colocar seguranças vigiando, segurar documentos, colocar pulseirinhas? Tem dono de bar aqui em São Paulo com medo de que esse povo fumando na rua faça barulho e gere complicações com a vizinhança e acabe acarretando multas por excesso de ruído (ler em http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u606915.shtml). Sinto um clima de apreensão, de paranoia. Ainda mais que o governo incentiva a delação por parte de pessoas que se sintam incomodadas em algum ambiente público fechado se alguém estiver fumando. A multa vai para o estabelecimento, e não para o fumante infrator. O governo pegou pesado, mesmo. Pesado e errado.

Concordo que garçons, DJs e funcionários de qualquer lugar não precisam fumar passivamente e prejudicar a saúde por causa de clientes fumantes, e nem outros frequentadores dos locais, que sejam não fumantes, precisam inalar a fumaça do cigarro alheio, mas por que acabar com fumódromos dentro dos locais?  Por que não dividir os estabelecimentos em categorias: este tem fumódromo isolado, onde só ficam os fumantes quando quiserem fumar, lugar onde não entrará nenhum funcionário da casa, não será servido nada (mas que fossem fumódromos decentes, não cubículos que mais pareceriam câmaras de gás), este não tem fumódromo, não se pode fumar. Não, o governo proibiu e ponto final. Tudo proibido. É uma lei generalizadora, quase sem exceções, rígida e, sim, burra. Para proteger, acaba saindo do bom senso possível que poderia ser melhor para todos. Essa de sair à rua para fumar... e quando estiver chovendo?

Ok, não sou idiota de dizer que o cigarro faz bem, e sei que um monte de não fumantes estão felizes, se sentindo vingados e tripudiando em cima dos fumantes por causa da aprovação dessa lei estadual, que, creio eu, já, já estará em todos os Estados da federação. Esse neo-higienismo governamental de nossa época me parece muito hipócrita, pois proíbe o cigarro, mas não consegue combater a dengue eficazmente. A neurose de muita gente contra o cigarro veio de onde? Falo de neurose, não do bom senso de saber que o cigarro faz mal. Sim, já aconteceu comigo, na rua, de acender um cigarro, nem ter saído fumaça direito dele e alguém perto de mim forçar uma "tosse" de repreensão. Ah, mas fiz questão sim que a fumaça do meu cigarro fosse pra cima do babaca. Que é isso? Só de ver um cigarro a pessoa já surta? Será algum desejo reprimido de fumar???

Fumo porque acho gostoso, ciente dos riscos e periodicamente monitorando minha saúde. Por enquanto, tudo bem. Se algum dia meu médico disser, olha, você está com os pulmões começando a ficar pretos, repenso esse meu hábito tabagista. E foda-se quem vier com o argumento de que "Ah, pode não dar tempo de prever, você pode se descobrir já tomado pelo câncer...". Problema meu, e nem irei gastar dinheiro da saúde pública porque tenho convênio de saúde, não dependo dessa saúde pública de merda. E eu posso retrucar e dizer: "E você pode descobrir um belo câncer intestinal causado pelo lixo que come, rico em gorduras e carboidratos e poucas fibras". O que o fulano vai me responder?

Cenas como gente fumando em bares, restaurantes, discotecas, fumando charutos para comemorar nascimento de bebês dentro de maternidades (ok, isso acho errado), com certeza são parte do passado. Assim como uma lembrança minha de entrar no Mappin, grande loja de departamentos que existia aqui em Sampa, fumando cigaro, e cigarro de cravo! Imagens de um passado que, se melhor ou pior não sei, mas que às vezes me dá uma saudade...

Continuo fumando na varanda em minha casa, pois isso AINDA pode, de noite, bebendo um chá gostoso ou mesmo olhando a rua e a Lua. Só quem fuma conhece esse prazer intimista.

PS: a maioria das pessoas não é bacana de verdade, vai conforme a onda, não para pra pensar, adora um radicalismo e adora despejar suas frustrações e raivas em cima dos outros, muitas vezes disfarçando de "zelo pelo bem comum". O governo poderia, também, incentivar que os cidadãos fizessem análise, quem sabe gente mais bem resolvida fosse menos amarga e primasse pela discussão saudável antes de defender qualquer causa com tanta agressividade.

PS2: ainda há gente que pensa e vive de acordo com sua própria verdade.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u609286.shtml



Escrito por mim às 16h32
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